Machado de Assis nosso maior escritor escreveu no livro Quincas Borba “ao vencedor, as batatas”, mas afirmo que na história dos judeus descendentes dos hispanos portugueses que foram convertidos a força durante o período da Inquisição na idade média carregam ainda a herança do desprezo e da desconfiança como intrusos do povo judeu e com alguns cúmplices dos nossos algozes, acreditam numa verdade política conveniente escrita pelos vencedores que jogaram tudo para debaixo do tapete da história.
Se realmente Machado de Assis conhecesse a verdadeira história do Brasil desde o descobrimento com a chegada dos portugueses em Porto Seguro teria escrito afinal: “ ao perdedor, as cascas de bananas”.
O mundo de hoje é escrito com uma tênue camada de fake news e aqueles que desenterram o lado B da história para trazer justiça são confundidos com todo este lixo que publicam nas mídias sociais, sem julgamento moral e fragmentado com mentiras distorcidas da verdade.
Um exemplo histórico da verdade foi o caso da cripto judaica Branca Dias que somente ela deixou mais de um milhão de descendentes com farta literatura escrita no Nordeste do Brasil.
Graças a procura também de milhares de pessoas que buscaram suas ancestralidades judaicas desde o descobrimento do Brasil, as informações em sites que fazem pesquisas de genealogia triplicaram, facilitando muitos a descobrirem suas origens e assim conseguirem um passaporte de Portugal.
Mas isto ainda não foi suficiente para convencer muitos judeus que migraram para o país a partir do ciclo da borracha no norte e depois do fim da segunda guerra para São Paulo e Rio de Janeiro, de que eles não eram os únicos aqui numa “terra de cego”, pois sequer imaginavam que o Eterno tinha trazido todos para um lugar que os descendentes de judeus sefarditas da península ibérica estavam escrevendo suas histórias e praticando o cripto judaísmo em vários locais do país.
Hoje, passado mais de 205 anos desde o fim da Inquisição, ainda não foi suficiente para que alguns incrédulos ignorassem uma identidade judaica sefardita esquecida que terminou com as perseguições em 1821, para que uma instituição em 2016 fundada no Rio de Janeiro iniciasse a busca das raizes de judeus nativos históricos desde o início do descobrimento do Brasil e que completasse 10 anos de existência em 2026, fundada por judeus retornados de origem hispano portugueses, descendentes dos convertidos a força que praticavam o cripto judaísmo fragmentado e que foram rotulados por vários nomes para serem esquecidos definitivamente da história.
Querem uma melhor prova de que tudo isto acima não é uma fake news?
Leiam os nomes detalhadamente das fotos tiradas em 2025 recentemente da sinagoga de serviço religioso de Amsterdam no aniversário de 350 anos com a presença de judeus de origem hispanos portugueses, autoridades e a realeza de outros países.
São várias instituições espalhadas na Europa e EUA que reconhecem o trabalho da Sinagoga Hebraica Portuguesa Shaare Shalom do Rio de Janeiro (esnoga-rj.org) como herdeiros dos judeus que foram perseguidos pela Inquisição, mas que finalmente com o milagre do Eterno estão resgatando a verdadeira identidade judaica sem medo ou vergonha dos seus sobrenomes históricos.
Autor: Sérgio Sobreira







