Os “palestinos”, como os conhecemos hoje, enquanto povo, são uma invenção de 1964. Aqui está um pouco de história.
A palavra “Palestina” refere-se aos filisteus, mas os palestinos não descendem dos filisteus.
Os filisteus eram originários da Grécia micênica; de lá migraram e se estabeleceram na costa mediterrânea da Terra de Canaã. Viveram ali, mas nunca por toda a região, jamais chegando a vários locais importantes e nunca sequer pisando em Jerusalém.
Em 925 a.C., o Reino Unido de Israel dividiu-se em dois: o Reino de Judá, com sede na região de mesmo nome e composto pelas tribos de Judá e Benjamim, e o Reino de Israel, formado pelas dez tribos restantes. Estes foram conquistados pelos assírios em 722 a.C., e os filisteus também ficaram sob domínio assírio. Os assírios tinham o costume de misturar os membros dos povos conquistados para incentivar a assimilação e impedir que mantivessem sua identidade própria. Isso deu origem ao termo “as dez tribos perdidas de Israel”, cujo paradeiro é desconhecido, enquanto os filisteus foram assimilados e desapareceram para sempre como um povo distinto.
A região da Judeia (nomeada em homenagem à tribo de Judá, da qual deriva o termo “judeu”) manteve seu nome apesar das conquistas babilônicas, persas e helenísticas. Ali, com Jerusalém como capital, o Reino Hasmoneu governou durante o último período de independência judaica até o estabelecimento do Estado de Israel.
Quando os romanos conquistaram a Terra de Israel, mantiveram o nome Judeia para a região, que se tornou a província romana da Iudaea. Esse nome perdurou através de eventos como a vida de Jesus, a destruição do Templo de Jerusalém e a revolta de Massada.
Mas em 132 d.C., após falsas promessas de reconstruir o Templo em Jerusalém, o imperador romano Adriano renomeou Jerusalém para “Colonia Aelia Capitolina” e começou a construir templos politeístas no local. Em resposta, uma revolta eclodiu entre os judeus locais, liderada por Shimon Bar Kokhba. Durou três anos e terminou com a vitória romana e a subjugação definitiva dos judeus. Em 135 d.C., apesar da vitória, Roma ficou surpresa com o custo da luta, que exigiu o envio de 13 legiões à Judeia. Os romanos não acreditavam que a Pax Romana pudesse ser quebrada, nem com a subsequente revolta causada pelos judeus. Como a região da Judeia estava associada ao povo judeu, os romanos mudaram seu nome. Deram à região o nome de Palestina, em memória dos filisteus, que, como não existiam mais, não tinham direito à terra, e a província do Império tornou-se Síria Palestina. Essa foi a primeira designação histórica com o termo “Palestina”.
Mas o povo judeu continuou a existir e o único denominador comum na história foi o retorno àquela terra.
De uma perspectiva histórica, os judeus queriam retornar a Sião, o Monte Jerusalém, a capital localizada em sua Judeia ancestral, nome da região que, do ponto de vista jurisdicional, era chamada de Palestina — um nome imposto por uma potência ocupante, e a partir de então, foi assim que os povos conquistadores a denominaram. Historicamente falando, a Palestina foi romana, bizantina, cruzada, mameluca, otomana, britânica, jordaniana e egípcia, mas nunca foi verdadeiramente “palestina”.
Em 1920, foi assinado o Tratado de Sèvres, concedendo à Grã-Bretanha um mandato sobre a Palestina, incluindo ambas as margens do rio Jordão. A Liga das Nações definiu o Mandato Britânico para a Palestina como tendo “o objetivo de assegurar o estabelecimento de um lar nacional judeu e garantir os direitos de todos os habitantes da Palestina”.
Em 1920, foi assinado o Tratado de Sèvres, concedendo à Grã-Bretanha um mandato sobre a Palestina, incluindo ambas as margens do rio Jordão. A Liga das Nações definiu o Mandato Britânico para a Palestina como tendo “o objetivo de assegurar o estabelecimento de um lar nacional judeu e garantir os direitos de todos os habitantes da Palestina”.
Mas, no ano seguinte, ocorreu a primeira partilha da Palestina. Um corredor desértico que ligava o Mandato Britânico da Palestina ao Iraque foi inicialmente chamado de Transjordânia. A Coroa Britânica, por meio de um memorando apresentado à Liga das Nações, excluiu esse território de qualquer futuro Estado judeu.
E houve uma segunda partilha. Em 1923, as Colinas de Golã foram separadas do Mandato Britânico sobre a Palestina e entregues ao Mandato Francês sobre a Síria.
A Organização para a Libertação da Palestina foi criada apenas em 1964 por Ahmed Sukeiri. O mapa que aparece em seu emblema reflete uma circunstância política, um momento histórico que ocorreu somente em 1923. Os mandatos britânico e francês moldaram as aspirações e reivindicações palestinas.
O Estado judeu continuou a ser construído enquanto as reivindicações para o estabelecimento de um Estado palestino no local foram anuladas.
As Nações Unidas aprovaram a Resolução 181 sobre a proposta da UNSCOP, que pedia a criação de um Estado árabe e um Estado judeu no território do Mandato Britânico da Palestina. Os judeus aceitaram, enquanto os países árabes decidiram pagar aulas de natação para os judeus. Queriam jogá-los ao mar.
Em uma reviravolta sem precedentes, Israel venceu a guerra. As regiões da Judeia (incluindo Jerusalém Oriental) e da Samaria ficaram sob controle jordaniano, e a Faixa de Gaza foi colocada sob administração egípcia. Daquele momento até 1967, quando Israel venceu a Guerra dos Seis Dias, não houve reivindicações de organizações palestinas pela criação de um Estado nesses territórios, nem mesmo por autonomia. Mas quando esses territórios caíram em mãos israelenses, os palestinos ficaram descontentes e começaram a se definir negativamente, alimentados por esse ressentimento.
A “Causa Palestina” é atraente, mas ao mesmo tempo é falaciosa e poucos conhecem a história, simplesmente repetem slogans da moda.

